quarta-feira, 10 de junho de 2026

Junho & Solidão

O mês de junho escancara a toxicidade do sistema monogâmico de relacionamentos amorosos. Vou usar esse nome para retratar a monogamia enquanto um sistema de crenças e normas que estabelecem como devem ser as relações, diferenciando-o da monogamia enquanto uma prática pessoal, consubstanciada na suposta escolha de vivenciar uma relação com apenas uma outra pessoa. E digo suposta escolha porque parto da premissa de que não há escolha quando a única opção é pautada pela ideologia hegemônica.

O sistema monogâmico de relacionamentos amorosos vende uma forma única de experimentar amor e sexualidade. Um script social, resguardado pela própria sociedade, no qual as pessoas buscam sua "cara-metade", a "banda da sua laranja", a "tampa da sua panela", e outras metáforas que aludem a esse ideal de relacionamento. Busca-se O Grande Amor da sua vida, aquela pessoa que irá completá-la em todas as suas lacunas, satisfazendo-a sexualmente, intelectualmente, afetivamente, emocionalmente... Com quem irá formar um casal, essa entidade que goza de uma proteção social, sendo considerada o elemento nuclear constitutivo da família – a única família possível dentro da ideologia dominante – e, portanto, reprodutiva da própria sociedade.

Um mito cruel que não encontra lastro na materialidade e cuja crueldade fica evidenciada quando chega junho e começam a aparecer em todos os cantos as referências ao Dia dos Namorados, comemorado no Brasil em 12 de junho.

Começamos pelo fato de que a data atende apenas a uma necessidade comercial, e nada tem de romântica. Por não haver em junho uma data significativa para gerar demanda e fomentar consumo, sendo este mês considerado até então um dos mais fracos no mercado de varejo, o publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo, de mesmo nome, em 1949, criou uma campanha para incentivar casais a se presentearem, ou seja, a comprarem e a consumirem. Aproveitando-se do fato de que no dia 13 de junho se comemora o dia do santo casamenteiro, Santo Antônio, João Dória pai criou o Dia dos Namorados na véspera. Nascia ali uma perversa máquina ideológica de frustração.

Falando aqui da minha experiência pessoal, que não guarda respaldo científico, vejo em junho mais gente frustrada por não ter com quem passar o Dia dos Namorados que gente feliz comemorando a data em casal.

O sistema monogâmico de relacionamentos amorosos planta em nós a ideia de que "é impossível ser feliz sozinho", cantada e explicitada à exaustão nas artes cênicas, na música, na poesia, e de que só podemos nos realizar verdadeiramente quando encontramos a nossa alma gêmea, que evidentemente não existe.

Nesse sistema de crenças, não enxergamos a mera possibilidade de experimentarmos outras formas de relacionamentos. E buscamos esse ideal, genérico e abstrato, da figura do amor da vida (seja a namorada, o marido, a esposa, o noivo, o parceiro...), o par. Primeiro estabelecemos todo os papéis que o amor da vida precisará desempenhar. Criamos a caixinha do amor da vida com todas as suas predeterminações. Agora, sim, ignorando a materialidade, a diversidade e a singularidade das pessoas, tentamos apenas encaixar alguém nesse papel. E todas as vezes em que alguém não preenche todos os requisitos para ocupar aquela função, alguém sai perdendo.

Dá dó ver tanta gente infeliz, lotando as sessões de terapia, buscando aquele Grande Amor, que nunca vem porque não existe. Quando chega junho a infelicidade e a amargura ficam expostas nas vitrines existenciais. Retorno então ao começo: junho escancara a toxicidade do sistema monogâmico de relacionamentos amorosos.

Observando tudo isto, penso que a monogamia é cruel, tóxica e violenta, e deve ser manifestamente enfrentada. É preciso que exista um movimento revolucionário no campo das relações, capaz de subverter a ordem vigente, derrubando a atual estrutura, movimento que chamo de revolução dos afetos. E a revolução dos afetos somente acontecerá coletivamente. Tô pouco me lixando se você quer namorar só uma pessoa por vez e para a vida toda e tá feliz com isso. Não é sobre a sua prática pessoal. É sobre um sistema social que impõe regras de como se deve relacionar, pautadas no controle do corpo alheio e no tratamento do outro como propriedade privada, levando às relações a mesma lógica do capital. E assim como o capitalismo se apropria de todo movimento que busca subvertê-lo, também a monogamia o faz: hoje há até quem reconheça que estar com alguém não é apropriar-se de sua liberdade, é permitir ao outro que tenha uma vida própria, desde que não exista uma relação afetiva com um terceiro.

No final, é tudo mais do mesmo. as suavizações que se tentam aplicar às relações monogâmicas, que buscam minimizar a violência e o controle, sugerindo alternativas como "casais vivendo em casas separadas" ou "casais que liberam um ao outro um dia da semana para terem uma vida", ao fim e ao cabo, mantém inalteradas as bases de sustentação desse sistema: controle dos corpos. "Tudo bem sair com amigos, mas não pode desejar outra mulher no rolê!", "pode ir pra boate sem mim, mas se eu souber que você beijou outro cara, está tudo acabado"... É assim, não adianta dourar pílula. Sempre há um "pode". Há sempre uma autorização ou um pedido de permissão implícito ou explícito. No final, o outro é propriedade nossa, e nós somos propriedade do outro. "Não há nada de errado nisso, Guto, fizemos uma escolha". Não, meu bem, não há liberdade de escolha quando não há diversidade de opções. Seguir o pensamento hegemônico quando se mantém cego a outras possibilidades de relacionar-se é uma prisão. E das mais cruéis, por nos manterem presos acreditando que estamos livres.

E assim, nos dias frios de junho, reinam a tristeza e a frustração de quem ainda sonha com O Grande Amor, e ainda não o encontrou para passar ao seu lado uma data comercial, cuja única finalidade é sustentar o capital.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Transitoriedade

Gosto do gosto
Que tem a gente que fica
Gosto de vento fresco
Em praça vazia,
De laranja no céu
Com sol poente
Que a janela aberta
Permite que adentre.

Gente que fica
Dá vontade de mergulhar
No mar de afetos
Que fica na gente.
Sabor de abraço quente,
De gelo da água no Leme
De fantasia de carnaval.

Gosto do cheiro
Que tem a gente que fica
Cheiro de banho de chuva
Quando cai a luz e faz calor
Eu gosto...

Quem fica fica na gente
Como eco de miado de gato.

Gosto do barulho
Que faz a gente que fica
Barulho de sorriso aberto
Ruído do pão quando assa
De coração que bate
Em compasso e harmonia
Como o coração fica
Quando a gente fica.

Gente que fica é vento 
Mas, vento passa,
Não fica.
Não fica?
Quando passa
Bate na gente
E marca o rosto.
Gente que fica é vento 
Que marca a pele suada
Enquanto avança
A bicicleta veloz.

Tem gente que não fica
Tem gente que vai, mas fica
Tem gente que fica e não fica
Mas fica a gente que não vai
Gosto de gente que fica
Gosto de gente que fica
Gosto de gente que fica...

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Vazão

Se do amor, tua linguagem é cuidado
Cuida então para que não se esvaneça
O semicerrar daqueles olhinhos
Que, expressivos, sorriem rutilantes,
E riem, como se o toque da ponta da língua
Fizesse-lhes cócegas ao tocar nos dentes
Quando em meia-lua seus lábios se dobram.

"Que faço eu?", em agonia tu perguntas.
Ah, quisessem os deuses pudesse dizer-te,
Sem pestanejar, dir-te-ia: "Segue!"
E se fracassares em secar-lhe o pranto,
E não mais vires a curva ascendente da boca,
Oferece teu ombro para que sobre ele
Repouse a cabeça, sobre a qual tuas mãos passearão.

Não sê leviano. Cuida! (Tu sabes fazê-lo).
Enquanto vertem dos seus olhos sal e água,
Abraça-o no silêncio das horas mortas
Até que não mais se molhem seus ombros...
E na manhã que se anuncia, quem sabe,
Tenhas o regalo de seres testemunha,
De olhinhos apertados e língua nos dentes.

Rio, 24 de outubro de 2024 

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Olhares

Olhares

Do mundo que me precede,
Constituiu-se meu modo de ver.
Do tenebroso ao mais belo,
Apenas eu mesmo saberei,
O que se descortina perante meu olhar.

Nada valeria dar-te um espelho
Posto que nele, o sujeito que vê,
É o mesmo objeto que é visto.

Quem dera pudesse dar-te
Ainda que em momento tão breve,
Meus olhos, e somente eles!
Em verdade, dar-te-ia, se pudesse,
Por curto instante que fosse,
Para que dele te regozijasses,
Com tal intensidade, qual gozo eu,
Os sentidos pelos quais te absorvo.

Se apenas eu tenho o condão
De ser o sujeito que se apercebe
Do que me trazem meus sentidos,
De todos eles facilmente me despojaria
Para que num só instante,
Te enxergasses, te ouvisses,
Te sentisses, como te sinto eu,
E que espelho algum
Jamais te revelará.

Gustavo Carneiro de Oliveira
Rio, 17 anos e 5 meses depois, numa tarde em que Oyá se faz presente

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Hegemonia cultural em preto e branco

Um influenciador digital preto foi encontrado morto em sua casa, em Salvador. Aparentemente se suicidou.

Um ator branco estadunidense foi encontrado morto em sua casa, em Los Angeles. Aparentemente se afogou.

Adivinha qual dos dois está inundando minhas redes sociais.

Isso é hegemonia cultural. É a dominação ideológica pautada nas ideias de quem detém o poder político. Karl Marx disse que as ideias dominantes em uma sociedade são as ideias da classe dominante.

Não estamos falando sobre saúde mental quando um influenciador digital preto e nordestino supostamente se suicida. Mas estamos lamentando a perda de um ator branco porque temos uma relação nostálgica com um dos seus personagens de uma série que tem quase 30 anos.

Não se trata aqui de criticar a conduta pessoal de quem está postando sobre Matthew Perry enquanto nem sabe quem foi Rodrigo Amendoim. Não é sobre moral de quem lamenta ou deixa de lamentar uma ou outra morte. É uma reflexão sobre o tipo de influência a que somos submetidos por conta da dominação de uma cultura sobre as outras. E você ainda acha que falar em imperialismo é teoria da conspiração...

terça-feira, 31 de outubro de 2023

O benefício da dúvida porque eu sou gente boa pra c**alho

É consenso [ou não?] entre marxistas a relação direta entre a miséria a que são submetidas determinadas pessoas e a criminalidade. Não analisamos a criminalidade pelo viés moral. Não determinamos o caráter e a moralidade de cada pessoa que pratica um ato considerado delituoso, decorrente da situação de precariedade e vulnerabilidade a que é submetida.

Não discordo disso e venho pensando muito a respeito do assunto. Se já era fácil me fazer de trouxa, hoje tem sido praticamente inevitável. Venho me tornando paradoxalmente mais tolerante no julgamento que faço a respeito das condutas das pessoas ao meu redor, quando se trata de qualificá-las como boas ou más. Não é sempre, claro. Tenho meus desafetos e não são poucos. Mas, entender a influência do meio sobre a construção da subjetividade de alguém me permite ser mais tolerante. Veja bem, eu disse "influência" e não "determinação". Em vez de lhe apontar o dedo na cara e questionar sua intenção de me causar um dano, colocando em xeque o seu caráter e categorizando-o sumariamente como uma "pessoa ruim", começo a questionar a que tipo de influências essa pessoa foi exposta e quais são suas razões para determinadas posturas.

Vivemos em um sistema que nos mantém sob a constante ameaça da perda. O medo é um instrumento de controle e nos mantemos neste sistema por medo. Medo de perder. Medo de fracassar. Medo da miséria. Medo da fome. Medo de não pagar o aluguel. Medo de não poder sustentar o filho. Em um sistema pautado na escassez, que nos põe a todo o tempo na ameaça da perda, segurar o nosso é estratégia de sobrevivência. Farinha pouca, meu pirão primeiro. É assim que dizem.

Não se iluda. O emprego que você tem coloca dezenas ou centenas ou milhares de pessoas na miséria. E tem gente morrendo de fome no mundo porque você consegue comprar a sua pizza numa sexta à noite. Horrível né? Não se culpe. A responsabilidade não é sua. Questione o que o sistema te impõe.

Digressões à parte, estamos todos apenas querendo viver nossa vida em paz, com o mínimo necessário. Acontece que meu mínimo necessário é o parâmetro que eu trago pelas minhas vivências. O seu mínimo necessário pode ser um prato de comida, quando você desafortunadamente "se acostumou" a viver na rua e passar fome. Ou pode ser um carro e uma casa, quando seu lugar na sociedade sempre lhe permitiu gozar destes direitos. Mas, quando tudo é uma ameaça ao tão pouco que o sistema já nos lega, nosso elástico moral se estica ao limite da nossa necessidade. Às vezes precisamos desesperadamente mostrar serviço porque sentimos desesperadamente o medo da insegurança de perder aquele emprego. Às vezes precisamos desesperadamente roubar um prato de comida porque sentimos desesperadamente a fome e o medo de que ela perdure.

Frequentemente tomamos nosso ponto de vista não como um ponto de partida, mas como O Ponto de Partida. Como se fôssemos a régua que mede o mundo. E até compreendemos o desespero do moleque faminto, porque sua realidade tanto se distancia da nossa, que conseguimos enxergar o contraste. Ao contrário, quando vemos atitudes questionáveis de pessoas do nosso convívio, tendemos a julgá-las negativamente. Frequentemente de forma liminar. Afinal, quando nos tornamos parâmetro para mundo, pensamos ser óbvio que tal atitude não foi adequada a uma "conduta normal", o nosso parâmetro de normalidade, a nossa conduta, a conduta que faríamos. Eu e você. E se eu e você faríamos, pensamos ser óbvio que qualquer outra pessoa perto de nós faria também. E, na nossa visão, se há uma justificativa plausível para mim e para você agirmos de determinado modo, e aquela outra pessoa agiu diferente, inferimos automaticamente que aquela pessoa tem uma conduta moral inadequada. É uma pessoa má, que não merece nossa compreensão, mas nossa raiva ou nosso desprezo. Começo a questionar essa mania de tacharmos uma pessoa de má. Já fui chamado de "relativista" por pensar assim. E não era um elogio.

Não sei você, mas quando não vejo no outro uma ameaça direta a mim, pautada no desejo da minha aniquilação, manifestado na intenção de me causar um dano, passo a não enxergar no outro a fonte da minha raiva. Ainda que seu comportamento me cause um dano. A raiva é da situação e não da pessoa. Isto me direciona a questionar o que está além da capacidade de escolha consciente do outro, isto é, a estrutura dentro da qual se insere que o moldou àquela forma que hoje ele manifesta.

Quando o moleque me rouba na rua, sinto frustração pela minha perda material, mas não direciono meu ódio ao assaltante e sim à toda engrenagem social que cria naquela pessoa a necessidade de assaltar alguém, que por azar fui eu.

A raiva canalizada numa mesma direção é uma arma política poderosa. No meu dia a dia lido com gente marginalizada por muitos lados. Uma parte considerável das minhas relações sociais são com pessoas de alguma forma excluídas ou marginalizadas. Tenho amizades, relações profissionais, contatos virtuais e presenciais com pessoas pretas, periféricas, transgêneras, mães solo, precarizadas, desempregadas... gente que "faz seus corre" porque, antes de tudo, foram ensinadas que a vida é uma coleção de perdas, e depois, que é preciso garantir o seu. Olha a farinha pouca aí.

E justamente nessas pessoas, vejo a todo momento condutas moralmente questionáveis que poderiam fazer com que o caráter de muitas delas pudesse ser posto à prova, colocando-as como pessoas em quem não se devesse confiar e de quem eu deveria me afastar. Vejo isso a todo canto. Pessoas se perdendo umas das outras ou sequer se permitindo criar conexões porque presumem e se afastam, sem buscar uma compreensão do fenômeno. Uma legião de indivíduos postos na solidão e queixando-se de solidão.

Imagino quão solitária é a existência de quem vê em todos ao redor uma ameaça, alguém de quem se deve manter distância. Na moral, tenho preguiça. Prefiro me esforçar para ver em todos ao meu redor uma conduta justificável por seu medo somado à uma necessidade de sobrevivência em um mundo de escassez. Em vez de me afastar de alguém por vê-lo como uma ameaça, opto por me aproximar de alguém por vê-lo como uma vítima do mesmo sistema que massacra a todos nós e contra o qual quero justamente unir esforços para destruir. É, no mínimo, útil, buscar elementos de aproximação em vez de elementos de repelência.

Fora que é legal pra cacete ser gente boa e todo mundo gostar da gente. Em um mundo neoliberal, em que as pessoas estão cada vez mais ensimesmadas e individualistas, dado que a própria organização da sociedade capitalista nos coloca integralmente na condição de concorrentes umas das outras, sinto um pouco de paz em levar minha vida sem achar que todas as pessoas ao me redor me odeiam e desejam meu mal. Antes, vejo que cada uma só precisa garantir para si aquilo que sua existência lhe ensinou ser o mínimo necessário. E no caso das minhas relações sociais, são o mínimo mesmo.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

A fuga do enfrentamento trará o fascismo de volta

Política não é só diálogo. É também enfrentamento. Em certos momentos é preciso abrir mão da diplomacia e conclamar a revolta. Em nome da "governabilidade", o Lula demite do seu governo a TERCEIRA mulher para colocar no lugar um homem aliado do Arthur Lira. O aniversariante do dia acabou de entregar a Caixa Econômica Federal ao economista Carlos Antônio Vieira Fernandes, indicado de Arthur Lira para o cargo.

Se o presidente da Câmara já é um entreguista de mão cheia que atua em prol do sistema bancário privado, tendo agora nas mãos um banco público, é intuitivo prever que poucas, ou nenhuma, serão as medidas de enfrentamento ao rentismo pelo sistema bancário público.

Com popularidade em queda, Lula segue sua política de composição com a burguesia, empurrando na classe trabalhadora os ônus decorrentes do empoderamento político dos bancos e entidades financeiras. Não vale dizer que vai governar para os pobres e permitir taxas de juros altíssimas que devoram seus salários e enriquecem ainda mais os banqueiros.

Por fugir do enfrentamento, Lula impõe ao Brasil um altíssimo preço quando não tiver mais apoio popular e levar uma rasteira da direita para quem ele está hoje abrindo caminhos. A ascensão da extrema direita será uma consequência direta e inevitável dessa desmobilização popular por falta de enfrentamento do Presidente Lula, em nome de um suposto diálogo com a oposição. O golpe vem. E quem pagará o preço quando Lula cair será a população.