Ventos e motores na noite
Em que sombras se movem
No que se move nas sombras.
Dorme o medo, todavia,
E não dorme quem roda a engrenagem.
A rua protege os seus
Das ameaças que vêm lá de dentro,
Dos corpos que vagam sem alma
Em exílio auto-imposto
Por grades e cercas elétricas.
Guardados fora dos muros
Gatos famintos, cachorros sarnentos,
Lúmpem de ébrios e putas
E capitães da areia
Que nada têm a perder
Porque nada trazem consigo.
É noite sem voz e de vento,
De um tempo que gira
E não sai do lugar.
Quem não vai, pois que não chega,
Não sabe o canto das aves,
Prenúncio da fuga lenta
Da noite que carrega o silêncio,
Mas deixa o vento atrás de si.
Salvador, 22/05/2026
Gatos famintos, cachorros sarnentos,
Lúmpem de ébrios e putas
E capitães da areia
Que nada têm a perder
Porque nada trazem consigo.
É noite sem voz e de vento,
De um tempo que gira
E não sai do lugar.
Quem não vai, pois que não chega,
Não sabe o canto das aves,
Prenúncio da fuga lenta
Da noite que carrega o silêncio,
Mas deixa o vento atrás de si.
Salvador, 22/05/2026