terça-feira, 19 de janeiro de 2021
Na briga Bolsonaro x Globo eu torço pela briga
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
#ForaBolsonaro #MorreBolsonaro #ImpeachmentBolsonaroJá #VivaLaRevolucion
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Sabiá do Velho Chico
Voa, voa, passarinho do Sertão!
Voa longe, atravessa tua terra,
Leva tua arte, faze tua guerra:
No tablado, mostra ao mundo o mundo-cão!
Voa, voa, passarinho do Sertão!
Singra os mares que Antônio Conselheiro
Vislumbrou como um sonho derradeiro,
Quantas ondas nasceriam deste chão!
Voa, voa, passarinho do Sertão!
Posto que em ti tudo é amor,
Colhe o riso onde se plantou a dor.
Vem, sabiá contestador!
Vem, que o riso é ato de subversão!
Voa, voa, passarinho do Sertão...
Gustavo Carneiro de Oliveira
Rio de Janeiro, 08 de janeiro de 2021
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Adeus, ano velho
Um feliz 2021 eu não espero que tenhamos. Veremos o fim do auxílio emergencial congelar ainda mais a economia já derrubada pela pandemia do corona vírus. Com isto, certamente veremos o desemprego subir a níveis ainda mais alarmantes que os 14,3% com que o ano de 2020 encerrou. Veremos o aumento da violência e, por consequência, o endurecimento da truculência estatal pelo seu braço armado. Veremos outras crises sanitárias, com o aparecimento de bactérias ultrarresistentes, desta vez decorrentes do uso indiscriminado de antibióticos para tratamento da Covid-19.
Certamente 2021 não será um bom ano. E por isso mesmo, não estou aqui com frases de efeitos, iludido, prometendo que teremos um ano de realizações, de paz, de saúde, de dinheiro. Nem me dou o trabalho de dizer que tenhamos um "feliz ano novo". Não teremos.
Mas, desejo que tenhamos ainda mais força! 2021 não será melhor do que a tragédia que foi 2020. Precisamos não esmorecer. Gente como eu e como você tornaremos 2021 mais suportável. E por isso mesmo é preciso que a gente fique. Mesmo quando não quisermos ficar e parecer mais e mais e mais insuportável estar aqui. Porque nós somos a diferença que o mundo precisa.
Não espero felicidade em 2021. Mas, desejo força e determinação para que possamos resistir. O mundo precisa de nós!
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
Um verso de Natal
Seu nascimento
Para que
Todos os dias
Possam comemorar
Terem alguém
A quem possam
Em Seu nome.
Rio, 24/12/2020
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
A militância de cada dia nos dai hoje
— Guto, vc já tem candidato a Vereador? — perguntou a chefe ao seu empregado.
Já sabendo porque a pergunta havia sido feita e se fazendo de sonso, respondeu:
— Candidato ainda não, mas normalmente voto no partido. Devo votar no PSOL. — e fazendo a Sonsiane, completou — Mas, por que a pergunta?
— Nada não. É que, se não tivesse, eu ia te falar de um amigo nosso daqui da empresa, que está se candidatando... Em cima da mesa tem o cartão dele, se quiser dar uma olhada...
— Vou ver... Qual o partido dele? — já pegando o cartão — PATRIOTAS?! Ihhh, rola não! DE JEITO NENHUM!!! "Pela pátria e pelos valores conservadores cristãos", chefe?! Tô fora.
— Eu confesso que não conheço partidos assim a fundo, e acabo votando pela afinidade com o candidato...
— Você e o Brasil praticamente todo. Já fui assim também. Isso é alienação política. A gente vota por afinidades? Ok, mas que tipo de afinidades? É primo, é tio, é amigo... Mas, e as afinidades políticas? Patriotas é um partido da base de apoio de Bolsonaro. É um partido da política neoliberal, privatista e entreguista. O nome do candidato é "Professor", ainda por cima?! Olha como as pessoas são incoerentes...
— Ele é professor universitário...
— De universidade pública ou privada? — perguntou, tomando o máximo de cuidado com seu tom para não parecer agressivo — chefe, você sabe o que é o neoliberalismo econômico? É o tratamento que faz da educação uma mercadoria e defende fechamento de universidade pública e privatização, para que estude apenas quem possa pagar. Não dá pra dar meu voto a isso. O Patriotas tem uma de suas bandeiras principais o armamento do cidadão, como justificativa de defender a segurança. Uma obrigação que é do Estado, da qual o Estado se omite e delega ao cidadão que se proteja sozinho. Quem pode se armar? Quem tem dinheiro. E que não tem, faz o que? Vive na miséria e resvala para o crime. Para que? Para o Estado se omitir na educação e na saúde, cada vez menos presentes na esfera pública e cada vez mais privatizada, e permitir que aquele "cidadão de bem" armado exerça sua autotutela e atire num cara que é vítima da ausência do Estado. Não posso colaborar com essa política. O neoliberalismo promove desmonte de hospital público alegando sucateamento da saúde, e depois faz lobby para planos de saúde privados. Quem pode pagar por saúde paga. Quem não pode? Morre, esquecido pelo poder público... Por isso que eu voto na esquerda...
— PT?!
— Não. Foi-se o tempo que o PT representava a esquerda raiz. PT se vendeu com o Lula, virou Centrão. Tem a Benedita aí, que talvez leve meu voto, mas de forma geral, sou PSOLista. Não voto no PCB porque não tem candidato. Mas, definitivamente o Patriotas não é uma opção.
Silêncio.
— Acho que o café está pronto — disse o empregado, saindo da sala, deixando no ar aquele silêncio que coexiste com reflexões.
sábado, 12 de setembro de 2020
Dádiva
Plantou o Criador no chão do Paraíso
do fruto proibido árvore frondosa.
E, cruel, jogou seus dados, fez apostas.
Criava num instante a Curiosidade.
Desafiou mulher e homem, criou a Tentação
(e tolo que tu és, acreditaste
que fora a serpente que o fizera!):
“Daquela árvore não deveis comer jamais!”
– Disse o Criador à Criatura –
“Posto que o fruto que dali se colhe
faz brotar em vossas mãos arma mortal.”
– Prossegue, odioso, ameaçando –
“Viveis no Paraíso, olhai em derredor,
haveis de não quererdes outro mundo.
Obediência cega vos exijo.
Não comais do fruto que ali medra.
O nome, não olvideis, Conhecimento.”
Quando homem e mulher a sós se viram,
conspiraram: “Prova tu da fruta o caldo.”
E de Conhecimento, lambuzados,
fartaram-se até que se olharam.
Quando, então, envergonhados, nus se viram,
do Éden foram ambos exilados.
Armados agora estavam. Era tarde...
De Conhecimento as dores padeciam
Amargando a expulsão do Paraíso.
Outrora cegos, doravante enxergavam!
“Conhecemos agora o mundo que nos ronda”
– Dizia um à outra (ou seria o inverso?) –
“Aqui tudo nos parece lacrimoso.
Onde andamos antes, que não vimos,
quão dorida pede ser a existência?”
Ao que respondeu a outra desgraçada:
“Tivemos as mãos livres, mas teimamos
Em querermos o saber. Erro irreversível!
Ai de nós, que, infelizes, conhecemos...
...conhecemos! ...o que noutros tempos idos
nos era desconhecido. Agora cá estamos,
amaldiçoados, expulsos, degredados.
Esbulhados em nosso bem mais precioso:
vida cega de quem está na Ignorância,
a que um dia chamamos Paraíso.”
Gustavo Carneiro de Oliveira
Rio, 13.09.2020.