quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Pretérito Imperfeito

Pretérito Imperfeito

Bumerangue lançado no espaço
Quedando-se açoitado pelo vento
Não fez da sua curva o movimento
Perdeu-se para sempre no embaraço.

Partiu, sem dar adeus, o trem da vida...
(Mãos acenam de longe um lenço gasto)
Para onde vai? Por quais trilhos tão vastos?
Qual plataforma? Que estação desconhecida?

Pelas pradarias, veloz na cavalgada
Foi-se em galope o alazão indócil
Para não voltar, perdendo-se adiante.

Ponteiro de relógio em disparada
Chance desperdiçada pelo ócio.
Pranteia arrependido doravante!

Rio de Janeiro, 31/07/2017.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Velha Estrada Nova

Velha Estrada Nova

Deixaram de ver quantas belas paisagens
Meus olhos, porque, temente, não te segui?
Caminho vistoso do qual não desisti
Para onde levas? Para quais paragens?

Por insetos, por torrentes e por flores
Foste presenteado pelas estações.
Quantos invernos, primaveras ou verões
Sobre ti não vi lançarem suas cores?

Trilha serpenteia aonde não conheço,
Quiseram retornar até aqui meus pés,
Por tão íngremes encostas, tortuosas

Por tantos escorregões, tantos tropeços...
Não mais te vejo, doravante, de viés,
Sigo adentro, estrada bela e sinuosa.

Rio, 12/07/2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Elegia por um ser vivente

Fez-se do vinho novamente água
E do sonho fez-se noite não dormida
Viuvez de ente vivo... Quanta mágoa!
Luto inútil. Tanta falta. Morte em vida.

De longe jaz com olhos não cerrados,
Que restam das lembranças? Que tormentos?
Vulto pálido e sombrio que apavora,
Espectro que chega em pensamento...

Saudades do que foi... Tempos de outrora...
Afasta-me da memória que me traz
Sua morte! Quão soturno em peito meu,

Pesar que ganha corpo, vai-te embora!
Ara a quinta de onde medrará minha paz!
Leva o pranto por alguém que não morreu.

Rio, 07/07/2017



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Gente

Gente

Gente é bicho que muda,
mas nada que muda muda da noite para o dia.
A gente é que faz vista grossa para sua grosseria
e quando os sinais nos alertam
não estamos alertas
por qualquer razão que seja,
ainda que sem razão.

A gente arruma uma desculpa,
acreditando ou querendo acreditar
que se trata de um momento isolado,
motivado por qualquer coisa alheia,
do tipo que não corre nas veias,
porque é mais fácil tachar de feia
a coisa que não vem de dentro
daquilo que a gente quer que seja
o que a gente quer que seja

Gente é coisa estranha.
Faz que não faz, falando,
e fala aquilo que não faz.
Mas, fato é que o ato
diz mais que o dito
e o bicho maldito nos morde!
Depois que rosnou
e nós ouvimos,
mas, fingimos que não era p'ra gente.

Não muda do dia p'ra noite
aquela gente que empunha o açoite
e a gente faz que não viu
porque é cego ou otimista!
Todo sinal se nos mostra
quando a gente aceita ver
Mas, se ver é sinal de doer
melhor é fingir de cego
E seguir sem perceber

Até que o bicho-gente nos mata
e mata com crueldade.
Mas, se gente é bicho que muda
A gente espera bondade
Da gente que a gente tem.

Por isso quem perde não é a gente,
mas essa gente que maltrata
e que sempre esteve lá!
Porque gente muda
mas, muda devagar
e se a gente não aprender a olhar
pode ir se preparando,
que a gente vai se dar mal.
Aprenda que o bicho-gente
sempre dá o seu sinal.

19/05/2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Se me falta a fé que já é pouca


Qual mendigo que se vê privado,
Por força maior, de suas parcas posses:
O lençol roto que lhe guarda
Das ameaças que descem à noite do céu...


Qual paisagem árida na Terra
Que tem de si extirpada
A única planta verde que medrou
Entre as rugas abertas no solo rachado...

Moribundo que segura firmemente
O fio único de vida que lhe resta
E tem de si desenganada a esperança
De abrir os olhos na manhã que chega

Assim me quedo se me tiram a fé,
Pois que já não é tanta,
E de tão custoso surgimento,
E por tão escassa, é deveras preciosa.

Se me falta do amanhã a contemplação
Foge sob meus pés o chão que piso
Se me falta a fé que já é pouca
Nada resta de onde nada havia.

17/05/2017

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Como me livrei de (mais) um relacionamento abusivo


Estava solteiro há pouco tempo. Tinha acabado de sair de uma relação parasitária e não tinha maiores pretensões em relação a outras pessoas. Estava me divertindo (bastante) com minha solteirice. Até que num dia chuvoso de final do inverno, uma foto com um sorriso encantador me observou num aplicativo de pegação.

As afinidades vieram imediatamente. Claro, tínhamos o mesmo signo e o mesmo ascendente, como não haveria de ser?! Ainda bem que nunca acreditei em astrologia. Os papos tinham tão reiteradamente a construção “eu...” respondida por “eu também” que parecia que eu conversava comigo mesmo.

Seguimos o protocolo típico dos encontros oriundos de aplicativos. E que noite incrível eu tive! Vimos o dia amanhecer, entremeados de conversa incessante, carinhos, carícias e sexo. Gozamos três ou quatro vezes, rimos outras tantas. No dia seguinte, eu tinha certeza de que tinha encontrado alguém diferente de tudo que eu já tinha visto antes. Certeza que se mantém ainda hoje.

Começamos a nos ver diariamente, suas inclinações políticas - de acordo com o que dizia, que depois vim descobrir que não eram tão condizentes com o que praticava - eram similares às minhas, e eu adorava ouvi-lo falar. E quando uma noite saímos do seu quarto no meio da madrugada, para a rua, para confrontarmos dois policiais que estavam achacando um garoto negro da vizinhança, meu encantamento chegou ao ápice. Minha admiração só crescia e naquele dia eu adquiri uma convicção: era ele que eu queria para a vida.

Não poderia ser mais perfeito, eu morava sozinho, ele morava com uma amiga feminista, fã do Belchior e da Frida Khalo, por quem me encantei de cara. Os jantares em sua casa eram sempre divertidíssimos e nem mesmo seu cigarro me incomodava. Um dia em minha casa, um dia na deles. Uma noite romântica só de nós dois, uma noite divertida para nós três, e assim os dias iam seguindo maravilhosos.

Quem me via dizia que eu irradiava felicidade. Transbordava. Tudo transbordava! Da forma mais intensa possível. Até que um dia, aquele cara que se dizia defensor dos direitos humanos mostrou que andava com um canivete dobrável na carteira e um soco inglês no bolso. Fiquei chocado, mas, não dei tanta bola para isto. “Claro que eu não pretendo usar nada disso, mas a cidade anda violenta, você sabe, eu não permitiria colocar você em risco”.

Com o tempo ele começou a se queixar de sua amiga de casa. As despesas pesavam em seu bolso, enquanto ela, funcionária pública desse Estado falido, deixava de receber salário e atrasava as contas. “Vai com calma, vocês são amigos, ela não tem culpa do que está rolando com os pagamentos. Além disso, foi ela quem segurou sua barra pesada quando você se internou no hospital durante todos aqueles dias”.

Eu até sentia uma invejinha da amizade entre eles. Quando estávamos reunidos, ouvia suas histórias de perrengues e farras que viveram juntos e achava o máximo quando eles se chamavam de “marido e marida”. Se eu tinha ciúmes? Jamais. Eu apenas queria fazer parte daquilo tudo. Queria ter aquilo para sempre. Ele dizia que também queria. Queria tanto que me propôs casamento.

Naquele momento, senti que poderíamos estar em descompasso. Eu nunca quis casar. Já tinha experimentado a sensação e tinha odiado. Nunca gostei de dividir meu espaço. Nunca quis submeter alguém às minhas manias. Recuei. A relação estremeceu um pouco. Até que argumentos objetivos me convenceram: ele precisava comprovar renda para obter financiamento e comprar seu carro, eu precisava ser incluído como dependente no seu plano de saúde empresarial. Mas, eu lidaria com sua bagunça e desorganização? Ele insistia que a bagunça na sua casa não era dele, mas de sua amiga. Eu sabia que era de ambos. Dormir noites alternadas em seu quarto me fazia ver sua tendência para acumular quinquilharias em todos os cantos. Não quis casar, mas aceitei. “Pura formalidade, ok? Só no papel mesmo, apenas para conseguirmos seu financiamento e meu plano de saúde. Não quero abrir mão do meu cantinho.”

Para encurtar o papo, o casamento não serviu para uma coisa, nem para outra. Não compusemos renda e ele conseguiu o carro por meio de empréstimo, antes mesmo de assinarmos os papeis. Foi despedido da empresa dias depois e não pude usufruir do seu plano de saúde. Comecei a ficar incomodado quando todas as vezes em que saíamos de carro, ele só lembrava de trancá-lo no momento em que via “alguém suspeito” na rua.

O cara das pautas esquerdistas, defensor do feminismo e que lutava contra o racismo olhava para os lados e travava as portas. “Sujeito esquisito aquele, não é?” “Não. Negro, você quer dizer...”. Ele se mostrava ofendido. “Você fala como se eu fosse racista!”. Em sua cabeça, não era. Comecei a perceber sua hipersensibilidade todas as vezes em que se via contrariado. Seus pés nunca viam um calçado e mesmo quando transitava onde cães urinavam, sentia-se ofendido quando eu lhe dizia que estavam sujos. Eu era o neurótico da limpeza. Claro, é assim que começa o discurso abusivo.

A primeira briga séria aconteceu quando realizamos nossa mudança. Eu estava indo morar em “sua casa” e sua amiga – que a esta altura também já era minha – iria morar na “minha”. Tudo ocorreu em paralelo: sua relação com ela estremecera por causa de dinheiro. Fiquei indignado quando ele destratou sua mãe, levando-lhe as questões que vinha passando e fazendo-lhe exigências descabidas. “Ela não é culpada!” “Meus amigos, eu conheço.”

Meu pé estava fraturado e quando eu tentei subir uma escada para averiguar um problema na calha, ele gritou. De forma absurdamente grosseira e constrangedora. “Desça! Está maluco?!” Quando tentei protestar, não consegui terminar a frase, por umas três vezes. “Não vou subir, estou apenas testando...” “Desça!”

Tivemos uma discussão muito tensa, em altos brados. Ao final, ele se desculpou. Queria apenas me proteger. Nunca gostei de ser protegido, mas era diferente com ele. Cuidávamos um do outro. Eu acalmava seus anseios atormentados de pessoa em crise familiar. Ele queria me colocar numa redoma de vidro. Eu ficava irritado, pois nunca achei que servisse para ser cuidado. Mas, em seguida dizia a mim mesmo que precisava ser menos independente e mais tolerante. Claro que, para ele, a culpa era minha. Mas, eu não me sentia culpado. Depois de lidar com outras pessoas abusivas, já tinha experiência suficiente para reconhecer um discurso manipulador. Mas, no fim, eu começava a me questionar que aquele fato talvez pudesse ser um evento isolado, relevava e seguia adiante.

As questões com sua amiga tomaram proporções gigantescas e me arrependo de não ter sido mais incisivo quando comprei a briga. “Você acabou de conhecê-la. Eu sei com quem estou lidando”. Foi seu argumento que me manteve passivo nesse embate. Depois de ter sido humilhada por ele de diversas formas, ela decidiu não dar continuidade à nossa dança das cadeiras, saiu da “minha casa”, obrigando-me a devolvê-la à imobiliária e a custear os ônus advindos da quebra de contrato. “Essa é a pessoa que você tentou defender. Deixou-nos na mão!” Se, por um lado fiquei chateado com ela, por outro era impossível pensar que pudesse ter feito diferente. Passou. Assumi os riscos do meu ato de morar junto, vendi mobília, paguei multa contratual e parti para “sua casa”, agora “nossa casa.”

Nunca me senti em casa ali naquele espaço que estava usurpando, mas arquei com todas as contas, assumi a parte que me cabia, e seguimos em frente. Tivemos alguns dias felizes, claro. Eu estava revendo meus conceitos, tentando não ser tão inflexível com a ideia de casar. Quando minha insatisfação aflorava e eu sentia falta de morar sozinho, pensava que precisava ser mais tolerante. Às vezes conseguia conversar e expor. Na maioria das vezes, ele tentava me manipular, distorcendo meu discurso e colocando-se na posição de vítima. “É tão insuportável assim viver comigo?” Felizmente, não funcionava. Conheço chantagem emocional. Eu desistia da argumentação e seguia calado. Comecei a ouvir sua queixa de que eu não conversava mais. Aos poucos, fui perdendo a vontade de falar. Só falo para quem se dispõe a ouvir. Quando não, sigo mudo.

Às vezes, agarrava-me cheio de carinho e tesão. Eu retribuía até uma hora em que me sentia sufocado por estar imobilizado no meio dos seus braços e pedia para soltar. Ele ria e mordia minha orelha. Eu insistia para me soltar, e sua língua começava a invadir meu ouvido. Eu sentia cócegas e pedia novamente para me soltar. Ele apenas ria e me segurava com mais força. Até que eu me irritava e o empurrava. Ele se dizia magoado e tentava me incutir culpa por não ser tolerante com “suas brincadeiras” e “seu carinho”. Isso aconteceu algumas vezes. Mas não, eu não me sentia culpado. Passei a sentir incômodo por enxergar ali à minha frente uma pessoa que agia da mesma forma que os homens abusivos que ele tanto criticava, ato a que chamo nada carinhosamente de hipocrisia. “Precisava me empurrar? Você foi rude” “Não! Você que não prestou atenção quando pedi para me soltar.”

Fomos morar juntos no começo do verão. Foi o pontapé inicial para a paixão acabar. Casamento é o contrato pelo qual duas pessoas que se amam decidem ser a hora de começarem a se odiar. Ali foi o começo do fim. A paixão acabou na mesma velocidade com que começou. Durou quatro meses. O casamento ainda perdurou por outros cinco. Quando acabou eu tinha certeza de que ele era diferente de tudo que eu tinha conhecido.

O dia a dia revelou uma pessoa incapaz de ser contrariada, filho mimado de uma mãe que não o aceitou quando começou a revelar quem era, criado - de acordo consigo mesmo - por uma família de pessoas sórdidas, manipulador de discurso, pessoa de dois pesos e duas medidas. Minha admiração já vinha se perdendo a cada vez em que estacionava em vaga de deficiente físico, em vaga de idoso, em porta de garagem de vizinho, avançava sinal vermelho, ameaçava atropelar “aqueles trombadinhas” (todos negros, claro). Perdeu-se de vez quando, retaliado por seus atos, quis ter razão e não aceitou ser criticado. "Então o vizinho grita comigo e o errado sou sou eu?" "Claro, você estacionou na porta de sua garagem!" "Entendi, não posso nem contar com você para me defender."

Novamente eu não conseguia terminar uma frase que começava, porque ele sempre interrompia com algum tipo de presunção, encerrando em voz mais alta o que eu estava tentando dizer, e minha paciência estava esgotada para conversar com quem não queria ouvir.

“Você está sem emprego. Por que não tenta...”

“Não vou fazer nada agora, para receber um salário de merda!”


“Você está doente, procure um consultório para...”

“Não vou ao médico para me passar o mesmo medicamento de sempre!”


“Por que não devolve logo os óculos do...”

“Ele largou aqui porque quis! Que venha buscar!”

Em um intervalo de uma semana, quando decidi não mais lavar ao amanhecer seus copos sujos deixados na pia durante a madrugada, depois que eu deixava a cozinha limpa para dormir, acusou-me de egoísmo. Quando parei de lavar suas roupas com as minhas porque mandou-me - de forma rude - não misturar os tecidos, acusou-me de egoísmo. Quando fui de bicicleta comprar medicamentos de que ele necessitava para tratar uma doença de pele e molhei sua carteira de identidade por causa da transpiração da garrafa d’água, em vez de “obrigado”, ouvi uma voz irritada aos brados acusando-me de quase ter estragado seu documento. Quando esvaziei seu cinzeiro na lixeira, ouvi uma ironia por ter jogado no lixo um resto de seu cigarro de maconha ou de alface, sei lá, que estava camuflado no meio das cinzas. Quando tomei seu último comprimido por engano, pensando ser o meu, o tempo fechou e novamente ouvi grosserias. Explodi, rebatendo à altura por tudo o que vinha acumulando calado, porque, coitado, ele-estava-passando-pelo-estresse-do-desemprego-pelo-estresse-de-parar-de-fumar-pelo-estresse-de-ter-sido-multado-e-eu-deveria-ter-sido-mais-compreensivo, e disse-lhe que estava de saco cheio de sua estupidez.

Mas, depois de perceber a incoerência do seu discurso e depois de tentar conversar algumas tantas vezes sem conseguir falar, depois de verificar sua habilidade no gaslighting e tentar manipular as discussões, minha vontade de dialogar caiu a zero. Quando, ao fim de uma semana com a cara amarrada, estourei depois que tentou me impedir de receber visita de amigos, como se a casa fosse sua. Soltei, com plena certeza do que eu estava sentindo, “eu não quero mais continuar nessa droga de relação!”

E quatro meses depois, chegou ao fim uma relação abusiva. Com alguém diferente de todo mundo com quem já lidei. Na discussão da madrugada, tentou me colocar para fora de “sua casa”. Num ataque de histeria tirou minhas roupas do guarda-roupas e jogou no chão. Quando se deu conta do que havia feito, devolveu ao lugar. Quando disse que tomaria minha chave de casa, rebati dizendo-lhe que não faria comigo nada parecido com o que havia feito com sua então amiga de casa, e que, se ousasse tentar, eu entraria com a polícia arrombando o portão, já que aquele lugar – gostasse ele ou não – também era meu por direito e que ele teria de me engolir.

Depois do fim, tornou-se uma pessoa ainda mais intratável. Passou a fazer questão de mesquinharias, como "como vamos dividir a carne que está no congelador?". Definitivamente eu não discutiria por causa de comida ou da quantidade de lâmpadas que eu tinha levado para a casa. Houve um tempo em que eu me importava com seu julgamento sobre mim. Agora não mais. À minha frente eu enxergava exatamente a pessoa que ele dizia que sua mãe era. E compreendia, então, seu sentimento de asco quando a viu pela última vez. Eu só queria sair daquela casa, não mais ouvir sua voz, não mais olhar sua cara.

Ainda temos questões praticas pendentes para tratar. Há um contrato de união estável que precisa ser desfeito e contas em comum para serem rateadas. Depois que isto for resolvido, só quero esquecer que um dia o conheci. E manterei minhas convicções acerca da minha ideia de casamento. Aprendi a lição.

Por que toda essa história? Para mostrar que não vale a pena abrir mão dos seus valores e dos seus sonhos por causa de ninguém. Existe um limite entre ceder pela harmonia de uma relação e anular quem você realmente é. Nunca se anule. Nunca! Do contrário, vampiros sugadores poderão se apossar da sua paz de espírito.

sábado, 6 de maio de 2017

Depois do sim

Depois do sim

Tragédia da vida é o "não" não pronunciado,
que abre caminhos para as pequenas infelicidades cotidianas
(porque a infelicidade reside nas pequenas coisas)

Sorriso que se desfaz
Na estonteante velocidade com que secou a fonte
De tanto transbordar.
Porque tanto transborda e um dia se esvai.

Até que nada mais importa.
Já que copo estará sempre meio vazio
Ainda que cheio para acima da metade.

A coerência manipulada
Pela lógica sepultada
Depois da qual, nada resta
Porque nada mais importa

Ninguém é um presente.
Gente que somos,
Erramos ao crer que o destino nos tornou coisas
E nos entregou como coisas
Para que nos depositássemos feito coisas
Na prateleira distante onde largamos as coisas
Quando somos gente.

A existência se protrai
Enquanto as ilusões se descortinam
Porque amor é aquilo que escorre pelo ralo
Com a gordura de cada prato sujo deixado sobre a pia.

Gustavo Carneiro de Oliveira

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Anúncios de aluguel são uma arte. Fatos reais.

Você lê a chamada "anúncio com foto", atendendo o filtro que escolheu na chave de busca. Quando abre, em vez de fotos do imóvel, você se depara com uma selfie de uma mulher fazendo bico de pato.

Você filtra sua busca escolhendo Casa no Centro, cidade Rio de Janeiro. Quando abre o anúncio em condições imperdíveis, lê a frase "no centro de Campo Grande".

Quando você lê "casinha modesta em beco modesto", prepare-se! Você encontrará um barraco caindo aos pedaços na comunidade mais barra pesada das redondezas!

Você lê "casa com garagem", mas quando vê as fotos, descobre que a verdade é "casa na garagem".

O anúncio diz "parece casa de boneca", mas dentro do imóvel mal cabe uma Barbie.

O anúncio diz "Condomínio abençoado por Deus". A piada já vem pronta.